terça-feira, 24 de março de 2015

Mãe, o que é comunista?

 

Foto da minha infância, em frente à Igreja Nossa Senhora da Luz, paróquia da Pituba - Salvador/BA, no dia da primeira comunhão da minha irmã. Eu estava muito feliz naquele dia.

 

1970. Tenho 7 anos.

 - Mãe, o que é comunista?

Eu perguntei porque escutei comentários de professoras na escola primária. Uma conversa difusa mas eu pesquei dali falas como - Os militares vão acabar com esses comunistas... 

Então, em casa perguntei para minha enciclopédia rápida:

 

- Mãe, o que é comunista? 

Resposta:

- É uma gente ruim, gente e 'bota os filhos contra os pais, contra a família, gente que quer 'tomar as crianças dos pais. 

- Aham...

- Mas, minha filha, me escute, não fale disso com mais ninguém, muito menos na escola.

 

Eu senti no tom de voz da minha mãe uma nota de medo. Então, também tive medo. Medo dos tais comunistas. E não falei mais, nunca mais falei de comunistas. Com ninguém. Com o tempo, esqueci o assunto. 

 

No entanto, agora... O Bicho Papão da minha infância ressurge, latindo, rosnando, babando - impondo suas vitórias culturais, comemorando o sucesso de sua torpe engenharia social. 

 

Porque de fato, hoje - família tornou-se a ideia confusa de uma estrutura que não vale nada e - há muito, muitos filhos, sem perceber o veneno em suas mentes, tornaram-se inimigos de seus pais e muitos pais, humilhados, desistiram de seus filhos.  L.C.


4 comentários:

  1. Houve uma época em que as pessoas na nossa sociedade eram realmente educadas no mais fino bom gosto.

    Ah, que nostalgia de minha infância feliz nos anos 70...

    Os Anos Dourados...

    ResponderExcluir
  2. Lygia, que menina linda e graciosa você foi!... Parece uma princesa: tiara, bolsinha, vestido de lacinho e meias soquete. Toda feliz e elegante, com um sorriso que ilumina o mundo. A imagem da mais pura alegria e doçura... Perfeita...

    ResponderExcluir
  3. Acrescentando:

    Parece uma princesa européia. Francesa. Me lembrei da princesa Stéphanie de Mônaco.

    Minha infância nos anos 1973-1985 foi um paraíso.

    Eu fazia questão de ir á Escola Experimental e passar o máximo de tempo lá. Meu dia favorito era a quarta-feira, porque ficava bem no meio da semana: dois dias de felicidade já se passaram, ainda teria outros dois.

    Até os meus 12 anos, eu era feliz e SABIA.

    ResponderExcluir
  4. O que isso tem a ver com o tema dessa postagem? Aí vai:

    Semana passada eu compareci á festa de aniversário dos 50 Anos da Escola Experimental, onde eu reencontrei uma colega de infância, Mariana, com o marido e os filhos dela, e dei cópias do meu CD de Obras Completas a ela, á diretora-fundadora Amabília Almeida, á histórica dona da cantina e á "Biza", a professora de Artes --- a matéria que sintetiza o espírito da escola, promovendo o gosto por inventar uma nova visão de mundo. No caso, nós pintamos com tinta guache tudo o que encontramos pela frente. Até nossos rostos no espelho. Depois de mais de 30 anos, eu mais uma vez mergulhei meus dedos em três garrafinhas de tinta --- verde, amarela e azul --- e colori minhas bochechas com essas faixas em cores vivas.

    Quando eu cheguei em casa, ouvi essa:

    "Então, Ernesto, vc está engrossando o coro da direita?"

    Era 14 de março de 2015, véspera do maior protesto popular nas ruas desse país desde as Diretas Já e do Fora Collor --- que TAMBÉM teve como heróis os estudantes caras-pintadas. Eu participei de ambas as manifestações em 1984 e 1992. E agora, estava sendo confundido com um manifestante do dia seguinte, que foi contra o governo do PT.

    "Quem pintou meu rosto foram crianças."

    "É, mas o contexto político atual..."

    (...dá margem á outra interpretação)

    3 décadas depois, a Escola Experimental ainda é subversiva. Até sem querer.

    ResponderExcluir