segunda-feira, 10 de março de 2014

SKIN PINCKING

esta é uma obra de ficção II



Foi por causa disso, parece, que tudo aquilo começou. Transtorno obssessivo compulsivo. Tudo bem, é uma 'doença' mas é uma coisa muito estranha. Parece uma estado de consciência alterado, malignamente alterado como nenhuma droga sozinha faria. Porque é lúcido, não precisa de droga para se perder nos gestos repetitivo, na caçada interminável da imperfeição  - da sujeira na superfície do próprio corpo.

Você sabe que está se mutilando mas não pode parar. Porquê você vê o exógeno, sabe que o alien  está ali, tem de tirar, a sujeira viva, o micróbio, tem micróbios, tem micróbios em todo lugar e eu brigo com eles na unha, como estivesse matando-os com minhas próprias unhas, tornando disfuncional o meio ambiente onde se nutrem. Eu.

- Entendo perfeitamente o desconforto das human-dolls diante da realidade dos poros.

Parou tudo. Tem uma hora nessa vida que a gente tem de se dizer a verdade. Eu preciso me confessar uma coisa: trabalhar movido a cigarros é TUDO DE BOM. Me digam que tem cigarros, que não vai faltar a cigarro, muito cigarro, cigarro suficiente -  e aí essa coisa de ansiedade passa. Eu sou capaz de escrever um livro em um dia, 10 traduções, três pesquisas detalhadas. Só me dê meu superamendoim.


Não dá mais para negar; eu não vivo sem minhas drogas. Minha fluoxetina para combater a tristeza, o anticonvulsivo, para deter minha vontade de arrancar essa pele e...  e... sair! Sair de mim, eu acho. 

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